Subject-Avatar in Computerized Enunciative Spaces<br>| Cadernos de Linguística
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Theoretical Essay
Subject-Avatar in Computerized Enunciative Spaces: Between Technical Standardizations and Practices of Resistance
Thomas Falconi
Universidade do Sul de Santa Catarina
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https://orcid.org/0009-0007-7025-1066
thomas.falconi@gmail.com
Lucas Alves Selhorst
Universidade do Sul de Santa Catarina
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https://orcid.org/0000-0001-6667-3281
lucasselh@hotmail.com
Keywords
Subject-Avatar<br>Computerized Enunciative Spaces<br>Tor<br>Google Chrome<br>Materialist Discourse Analysis
Abstract
In this paper, we performed a comparative analysis of the Tor and Google Chrome browsers. Based on the theoretical and methodological framework of Materialist Discourse Analysis, and particularly through the notions of subject-avatar and computerized enunciative spaces, we identified that, in Tor, there is an agency that results in a transitory, fluid, and fragmented subject-avatar, associated with a process of technical individualization that is temporary and opposes the extractivist logic of data colonialism. Concerning Chrome, however, we identified a process of individualization that mirrors and reproduces this extractivist logic as a colonialist practice.
Resumo para não especialistas
Este trabalho compara dois navegadores de internet diferentes: o Tor e o Google Chrome. A partir da nossa análise, destacamos que enquanto o Chrome é usado e coleta dados dos usuários para personalizar conteúdos e anúncios, o Tor diz garantir o anonimato e a privacidade de quem navega. A partir de estudos sobre linguagem e tecnologia, analisamos como cada navegador cria formas distintas de relação entre o sujeito e o espaço digital. No Tor, o usuário pode assumir uma identidade temporária e mudar constantemente, o que permite resistir à coleta de dados e à vigilância. Já no Chrome, o usuário é conduzido por uma lógica que transforma suas ações em dados, reforçando o controle e o uso comercial desses dados, acarretando em uma relação diferente entre sujeito e espaço. Com isso, destacamos o Tor como uma forma de resistência à lógica extrativista da rede.
Considerações Inicias
Uma das grandes questões discutidas atualmente no âmbito das tecnologias digitais diz respeito à privacidade (e buscamos aqui não a tomar na sua transparência, mas questionar: o que é privacidade? O que é privacidade online?), pois com o avanço das redes sociais e de diversos serviços on-line, uma imensidade de dados pessoais passou a ser coletada e compartilhada, não nos parecendo haver alternativas fora dessa perspectiva.
Esse processo tem sido chamado, por exemplo, de colonialismo de dados. Couldry e Mejias (2018, p. 1, tradução nossa) definem esse tipo de colonialismo como aquele que “combina as práticas extrativas predatórias do colonialismo histórico com os métodos abstratos de quantificação da computação”. Essa nossa relação com esse funcionamento que estamos tomando a partir da nomeação colonialismo de dados pode ser pensada a partir da noção de ideologia, pois como explica Orlandi (2013, p. 47), na análise do discurso (AD), a ideologia não é pensada “como ocultação, mas função necessária entre linguagem e mundo”. Isto é, a partir dessa relação com a ideologia passamos a naturalizar determinados funcionamentos e até a vê-los como inescapáveis.
Esse texto é fruto de um trabalho realizado na disciplina de tópicos especiais ministrada pelas professoras Solange Gallo e Juliana da Silveira. Nesse contexto, nos dedicamos a analisar as práticas contraditórias e de resistência, comparando, por exemplo, plataformas privadas (redes sociais de domínios das big techs) e livres (redes sociais do chamado Fediverso - que é uma alternativa descentralizada e administrada pelos próprios usuários, com código aberto e regras próprias de moderação). Por questão de espaço, recortamos para essa apresentação um pequeno gesto de análise apenas sobre o navegador Tor em comparação com o Google Chrome.
Nesta apresentação, mobilizaremos algumas noções do dispositivo da AD, entre elas as de EEIs, proposta por Gallo e Silveira (2017), e também de avatar (PEQUENO, 2016) e Sujeito-avatar, mais desenvolvida por Solange Gallo, no âmbito de nossos estudos e inicialmente apresentada por Silveira; Gallo e Pequeno, 2025).
Segundo os autores acima citados, a noção de sujeito-avatar refere-se a uma tese central de que:
assim como a materialidade da escrita, também a materialidade digital desloca a forma do pensamento, dos enunciados e dos sujeitos, no seio do que nós chamamos espaços enunciativos informatizados - EEI. Em outros termos, isso que denominamos ‘espaços enunciativos informatizados’ constitui um novo tipo de instituição que interpela os sujeitos de forma específica, em função de sua relação intrínseca com as mídias. Esses espaços...